Movimento Marxista 5 de Maio - Marx vive, a luta continua
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Marx vive, a luta continua

 

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Neste 5 de Maio de 2018 faz exatos duzentos anos do nascimento de Karl Heinrich Marx, o homem a quem a classe trabalhadora do mundo mais deve, segundo palavras de seu companheiro de lutas Friedrich Engels. Marx nasceu na cidade alemã de Treves, diplomou-se em Ciências Jurídicas e Sociais e fez doutorado em filosofia. Mesmo detentor de um saber científico em ciências sociais jamais igualado, tanto em seu tempo quanto posteriormente, Marx priorizou a prática revolucionária em relação a uma mais que promissora vida acadêmica. Seguramente, percebeu a tempo que os horizontes acadêmicos eram muito estreitos se comparados com a contribuição que podia dar à luta viva pela libertação revolucionária do proletariado e da própria humanidade. Uma contribuição, como demonstrou a história à exaustão, absolutamente insubstituível e igualmente decisiva e essencial à causa histórica do proletariado.

Mas a realidade, igualmente comprovada pela história das lutas de classes, é que o eixo do marxismo, a que ele próprio denominou práxis, não foi e não tem sido percebido e entendido e praticado como tal pela grande maioria daqueles que desde então se dispuseram a entregar sua vida à luta revolucionária dos explorados. Infelizmente. Para a enorme maioria dos homens e mulheres de esquerda de todo o mundo, Marx foi o mais sólido dos sociólogos, o maior dos historiadores, o filósofo mais fecundo que o mundo conheceu e conhece. Bem, tudo isso é verdade. Mas não a verdade inteira.

A verdade inteira é que, antes de tudo, Marx foi um revolucionário que soube articular a teoria revolucionária com a prática revolucionária. Ao fixar o conceito de práxis como interação e indissociabilidade entre teoria e prática – quer na produção científica do conhecimento da realidade objetiva, quer na ação concreta de transformação revolucionária desta realidade –, Marx se coloca no patamar mais alto, qualitativamente mais alto, entre todos que pensaram e buscaram fazer a revolução proletária. Como formulou Max Horkheimer, um dos maiores filósofos marxistas da história, “só é possível conhecer aquilo que se quer transformar”. Ou seja, em Marx o conhecimento da realidade e a determinação ideológica de transformar esta realidade compõem um só, único e indivisível processo.

É de posse desta arma mortífera aos interesses dos exploradores que podemos identificar a posição de Marx no cenário geral concreto da prática da esquerda organizada no mundo. Este cenário se divide em dois campos antagônicos: revolução e, do lado oposto, reforma. Utilizando-se da arma do materialismo histórico-dialético, também criada por ele, Marx deixou claro, absolutamente claro, que a história se move por saltos e que, por isso, a transformação da sociedade capitalista em socialista, ou seja, a revolução proletária, só poderia ser entendida e feita enquanto um ato revolucionário, em que se faz presente a lei dialética da transformação da quantidade em qualidade enquanto momento. E não um processo gradativo de acumulação quantitativa em que, de reforma em reforma, um dia despertaríamos todos em uma sociedade socialista.

Foi enquanto uma práxis revolucionária que o marxismo nasceu. Já no Manifesto do Partido Comunista, assinado por ele e por Engels, Marx enumera as propostas socialistas anteriores, a maioria de corte reformista, classificando-as de socialismo burguês, socialismo pequeno-burguês e socialismo reacionário, ou seja, propostas antiproletárias.

O reformismo enquanto teoria sistematizada nasce no combate direto ao marxismo. Éduard Bernstein publica no início da década de 90 do século XIX seu tratado reformista Socialismo Evolucionário, especificamente dirigido ao combate direto ao marxismo. Que isso fique bem claro e presente em qualquer discussão sobre o tema. Não se trata, portanto, que o reformismo-revisionismo poderia constituir em algo como um complemento do marxismo. Não. O revisionismo (reformismo feito teoria socialista) foi pensado e feito declaradamente para combater o marxismo. E assim o é até hoje.

Desde então, o antimarxismo tem-se utilizado de máscaras e disfarces de acordo com o que interessa à burguesia e à pequena burguesia no tempo e no espaço. Atualmente, é tarefa de todos os marxistas o combate político-ideológico a duas destas formas de antimarxismo: o trotskismo e o gramscianismo. Quanto ao primeiro, sua tosca teoria da ‘revolução permanente’ (sic) assume o ponto de vista, não mais que um primário ponto de vista, de que o capitalismo teria entrado em derrocada final objetivamente irreversível já desde os anos 30 do século passado – aliás, uma tese que Bernstein atribuíra por burrice ou desonestidade a Marx. Ironia: Antonio Gramsci vai basear suas propostas reformistas pequeno-burguesas, ostensivamente antidialéticas, na mesma absurda concepção da teoria histórica de Trotski, ou seja: Gramsci localiza o espaço histórico da instalação do socialismo naquela mesma longa derrocada final e irreversível do capitalismo de que fala o fundador do trotskismo em seus devaneios especulativos. Nenhuma coincidência acidental ou surpresa nisso.

Rigorosamente, pois, reformistas clássicos, gramscianos e trotskistas ultrapassam os limites da coerência e da legitimidade ao se alardearem marxistas. Apenas aos marxistas cabe hoje reverenciar e homenagear Marx.

Venceremos!


 

 




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